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Jovens com deficiência registram analfabetismo 12 vezes maior

Censo Demográfico aponta desigualdades educacionais e barreiras de acesso para pessoas com deficiência no país.

19/09/2026 às 11:27
Por: Redação

A taxa de analfabetismo entre as pessoas com deficiência, situadas na faixa etária de 15 a 29 anos, alcançou o patamar de 12,2% no ano de 2022, o que representa um índice 12 vezes superior ao constatado entre a população sem deficiência da mesma idade, que ficou em 1%.

 

As informações estatísticas derivam do Censo Demográfico de 2022 e tornaram-se públicas nesta sexta-feira (18), por intermédio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

“Sabe-se que, historicamente, elas têm uma taxa de analfabetismo mais elevada do que as pessoas sem deficiência. Parte dessa diferença decorre da maior concentração de pessoas com deficiência entre os idosos, gerações menos escolarizadas do que as gerações atuais. Contudo, esse enfoque nos jovens consegue acrescentar que a desigualdade entre as pessoas com deficiência e sem deficiência não se resume só à questão geracional”, destaca a pesquisadora do IBGE Luanda Botelho.


 

As estatísticas oficiais revelam que o analfabetismo atinge com maior intensidade os indivíduos que apresentam dificuldades ligadas às funções mentais, atingindo 40,4%, bem como aqueles que possuem mais de uma deficiência acumulada, cuja proporção chega a 34%.

 

Desigualdades por tipo de deficiência

 

Mesmo considerando as categorias de deficiência que registram os menores percentuais de analfabetismo dentro desse universo específico, como os indivíduos que manifestam alguma dificuldade para enxergar, que marcam 3,5%, o índice ainda supera em mais de três vezes o verificado entre os cidadãos sem qualquer deficiência.

 

Para as demais categorias investigadas, o levantamento aponta taxas de 10% entre aqueles que enfrentam dificuldades para ouvir, de 23,3% no grupo com limitações para caminhar ou subir escadas, e de 31,3% entre as pessoas que encontram obstáculos para segurar objetos de pequeno porte.

 

Panorama da frequência escolar

 

O engajamento nas salas de aula também demonstra patamares inferiores quando se analisa o segmento populacional com deficiência.

 

Os percentuais de frequência ficaram estabelecidos em 92,6% no tocante às crianças de 6 a 14 anos, e em 79,5% no que se refere aos jovens posicionados entre 15 e 17 anos de idade.

 

Tais percentuaissuperam os patamares contabilizados entre os estudantes sem deficiência, cujos registros apontam 98,4% para o público infantil de 6 a 14 anos e 85,4% para a faixa juvenil de 15 a 17 anos.

 

O cenário de exclusão educacional agrava-se de maneira expressiva entre aqueles classificados com deficiência profunda, compreendendo os indivíduos que demonstram impossibilidade total para escutar, ouvir, manusear objetos ou realizar caminhadas.

 

Dentro desta parcela populacional específica, a frequência escolar despencou para 82,2% entre as crianças de 6 a 14 anos e atingiu 65,6% entre os jovens de 15 a 17 anos.

 

Infraestrutura de acessibilidade

 

No que tange às condições estruturais das instituições de ensino, o Censo Escolar 2025 demonstra que as escolas dotadas de banheiros adaptados correspondiam a 57% do total geral brasileiro.

 

Adicionalmente, as unidades escolares equipadas com salas de recursos multifuncionais somavam 30%, enquanto aquelas que disponibilizavam profissionais de apoio representavam 26,2%.

 

O conjunto de estabelecimentos de ensino que dispunha de pelo menos uma destas facilidades estruturais atingia o patamar de 78,5%.

 

Observam-se, contudo, distinções operacionais relevantes ao comparar as redes de ensino particular e pública.

 

A rede privada sobressaiu-se na proporção de banheiros acessíveis, concentrando 64,4% das estruturas, ao passo que a rede pública registrou 54,8%.

 

Em sentido oposto, a rede pública demonstrou vantagem expressiva na oferta de profissionais de apoio especializado, estando presentes em 32,8% de suas escolas, contra apenas 4,6% observados na rede privada.

 

No que diz respeito aos espaços destinados ao atendimento escolar especializado, conhecidos como salas de recursos multifuncionais, a infraestrutura marcou presença em 34,5% das dependências da rede pública, em contraponto aos 15,2% verificados nas instituições privadas.

 

Expansão no ensino superior

 

O levantamento traz ainda um panorama sobre o avanço acadêmico, indicando que a inserção de pessoas com deficiência em programas de graduação quase triplicou no período compreendido entre 2014 e 2024.

 

O contingente de acadêmicos saltou de 33.377 para alcançar a marca de 95.572 matrículas ativas.

 

Enquanto a participação desses estudantes correspondia a apenas 0,43% do universo total de graduandos no território nacional no início do período, a proporção elevou-se para 0,93% ao final da série histórica.

 

O vetor determinante para essa expansão concentrou-se na modalidade de ensino superior a distância.

 

Ao passo que as matrículas em cursos presenciais registraram duplicação quase integral nos dez anos analisados, oscilando de 26.637 para 50.609 alunos, a quantidade de discentes inseridos em programas educacionais mediados por tecnologia multiplicou-se por mais de seis vezes, saltando de 6.740 para atingir 44.963 matrículas.

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