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Projeto reúne artistas de diversas gerações para reinterpretar clássicos de Chico Buarque

Projeto atualiza canções icônicas de Chico Buarque com ritmos urbanos e diversidade geracional

22/08/2026 às 12:53
Por: Redação

Artistas brasileiros de variados estilos e idades uniram-se para criar novas versões de canções icônicas de Chico Buarque, incorporando elementos contemporâneos à obra original do compositor. A audição do projeto denominado Chico 2.0 foi realizada na quinta-feira (20), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

 

Esta iniciativa é fruto da colaboração entre a Central Única das Favelas (Cufa), a FRecords, a Tha House Company e a Universal Music Brasil. O álbum conta com a produção musical de Felipe Poeta e Alê Siqueira.

 

Entre as canções que receberam novas interpretações estão Construção, Cálice, Roda Viva e Geni e o Zepelim. Essas versões experimentais incorporam ritmos como rap, trap, funk, R&B, samba, soul e uma nova vertente da MPB, conferindo às músicas uma roupagem atualizada.

 

Felipe Poeta, que assina a direção musical do projeto, explica que o objetivo central foi estabelecer um diálogo direto entre a obra de Chico Buarque e a música urbana dos dias atuais. Ele ressalta que, apesar das letras terem sido escritas em contextos anteriores, os temas, histórias e sentimentos nelas tratados permanecem atuais.

 

Segundo Poeta, reunir artistas de gerações e estilos diferentes para interpretar essas composições fez muito sentido, pois visou a inovação sonora sem desrespeitar as harmonias e melodias originais do compositor. Ele destaca que o principal resultado é a possibilidade de apresentar essas narrativas já tão conhecidas para um público jovem que acompanha a música urbana contemporânea.

 

Uma das faixas reinterpretadas no álbum é O Que Será (À Flor da Terra), que ganhou uma versão com vozes dos rappers Vandal e Don L, além da participação especial de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque.

 

Vandal, nascido em Salvador, expressou sua satisfação em colaborar com nomes tão relevantes da música brasileira e em dividir o momento com Milton Nascimento, Chico Buarque e Don L, este último uma voz nordestina que ele admira profundamente.

 

Para o rapper, a interação entre dois artistas oriundos do Nordeste representa uma entrega especial ao povo dessa região, simbolizando uma conexão esperada e significativa.

 

Além dos artistas já mencionados, o projeto reúne também Dexter, MC Livinho, Xênia França, MC Cabelinho, Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, Tasha & Tracie, Grag Queen, Bela Maria e Maurício Pazz, evidenciando a diversidade de gerações e territórios da música brasileira presentes na iniciativa.

 

A ideia de expandir o alcance da obra de Chico Buarque para novos públicos foi articulada por Celso Athayde, fundador da Cufa e um dos idealizadores do projeto.

 

“Dirigir artisticamente o projeto Chico 2.0 é uma responsabilidade imensa com a história da nossa música. Os grandes clássicos do gênero sempre beberam na fonte da cultura popular. O que estamos fazendo aqui é dar continuidade a essa linhagem, garantindo que a nova geração de artistas e ouvintes ocupe esse espaço com propriedade, qualidade técnica e autonomia narrativa”, afirma Athayde.

 

Para Athayde, a iniciativa representa a continuidade da tradição da música popular brasileira, feita por meio da inserção de novos artistas e de linguagens atuais, o que reforça o legado cultural e artístico do país.

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