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Especialista alerta para importância do diagnóstico precoce da baixa visão na infância

Oportunidade de intervenção precoce pode ampliar desenvolvimento e autonomia em crianças com baixa visão

11/09/2026 às 14:22
Por: Redação

A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento integral das crianças, abrangendo aspectos motores, cognitivos, comunicativos e sociais. A perda visual nos primeiros anos pode comprometer não apenas o aprendizado escolar, mas todo o processo de crescimento e maturação infantil.

 

Quanto mais cedo for realizada a intervenção em casos de baixa visão, maiores as chances de utilizar a visão residual para elaborar estratégias que beneficiem o futuro da criança. Essa foi a mensagem destacada pela oftalmologista Maria de Fátima Neri durante sua participação no 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador, que se encerra no sábado, dia 12.

 

Maria de Fátima esclareceu que a baixa visão na infância não se resume a uma simples redução na acuidade visual.

 

“A baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a participação dessa criança no mundo”, afirmou a médica. “Precisamos avaliar e entender o que a criança faz com o resíduo visual que tem.”

 

Ela listou as principais causas de baixa visão em crianças, entre as quais se destacam: retinopatias associadas a infecções por sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus; catarata congênita; glaucoma congênito; anomalias no nervo óptico; albinismo; distrofias hereditárias da retina; alta miopia; doenças neurológicas; deficiência visual cortical ou cerebral; e casos decorrentes de prematuridade.

 

A oftalmologista ressaltou que o diagnóstico deve ser complementado pela avaliação das funções visuais da criança, incluindo a acuidade visual, além de uma análise detalhada, junto aos responsáveis, sobre as habilidades da criança e o impacto da baixa visão em suas atividades diárias.

 

Nesse acompanhamento familiar, é fundamental investigar questões como: a criança reconhece rostos? Consegue localizar objetos? Brinca com autonomia? Como reage em diferentes condições de iluminação? Que atividades deixou de realizar por causa da baixa visão?

 

Maria de Fátima também apontou os sinais de alerta que devem chamar atenção, tais como: a criança não acompanha objetos com os olhos; não fixa ou mantém pouca fixação visual; aproxima excessivamente objetos do rosto; esbarra ou tropeça com frequência; enfrenta dificuldades em ambientes com pouca luz; apresenta fotofobia ou busca intensamente por luz; tem dificuldade para reconhecer pessoas e objetos; ou apresenta atraso no desenvolvimento sem causa aparente.

 

O tratamento para esses casos deve abranger diversas áreas, incluindo estimulação visual funcional, uso de recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade, além de terapias ocupacional, fisioterápica, fonoaudiológica, psicológica, pedagógica e suporte à família.

 

“O desenvolvimento visual está relacionado não apenas à visão, mas também ao aspecto motor, cognitivo, à linguagem e à interação social. A visão participa da construção de toda a experiência da criança. Por isso, alterações visuais importantes e não reconhecidas podem repercutir no desenvolvimento global dela”, avaliou a oftalmologista.

 

De acordo com Maria de Fátima, encaminhar precocemente uma criança com baixa visão significa não apenas tratar da visão, mas sobretudo proteger seu desenvolvimento, autonomia e futuro.

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