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Partido de extrema direita AfD conquista vitória inédita na Saxônia-Anhalt

Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt marca avanço histórico do partido no cenário político alemão

07/09/2026 às 11:52
Por: Redação

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou o primeiro lugar nas eleições estaduais realizadas na Saxônia-Anhalt no domingo, 6, de acordo com pesquisas de boca de urna, aproximando-se pela primeira vez do poder estadual desde o término da Segunda Guerra Mundial.

 

Apesar de não ter obtido a maioria absoluta, a AfD alcançou 44% dos votos, impondo uma derrota significativa aos conservadores liderados pelo chanceler Friedrich Merz, cenário que reflete a impopularidade acentuada da coalizão governista alemã num ambiente político fragmentado.

 

Agora consolidado como o partido mais popular em âmbito nacional na Alemanha, o AfD pretende estabelecer uma base sólida para avançar com sua agenda política, a qual inclui a imposição de severas restrições à imigração, o restabelecimento das relações diplomáticas com a Rússia, a redução do suporte financeiro à Ucrânia e a retirada do euro como moeda.

 

Enquanto a contagem dos votos prosseguia, permanecia incerto se o partido conseguiria formar um governo, porém a importância política da eleição estava clara; a emissora ZDF informou que a participação eleitoral atingiu um índice elevado, na casa dos 77%.

 

"Fizemos história neste país", declarou Ulrich Siegmund, de 35 anos, líder da AfD na Saxônia-Anhalt, que mobilizou milhares de pessoas em seus comícios e apresentou a vitória estadual como um passo inicial para alcançar o poder nacional nas eleições federais previstas para 2029.

 

"O povo manifestou de maneira definitiva o desejo por uma mudança política e, sobretudo, deixou claro que quer essa mudança conosco", afirmou Siegmund.

 

Ao serem divulgadas as primeiras projeções de boca de urna, Siegmund estava ao lado dos dois líderes nacionais do partido, que demonstravam alegria diante da dimensão do resultado. Na convenção eleitoral do AfD na cidade de Magdeburg, houve celebrações eufóricas, com pessoas exibindo bandeiras alemãs e abraçando-se em sinal de vitória.

 

O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou uma captura de tela do resultado sem adicionar comentários em seu site Truth Social, enquanto líderes de extrema direita em outras nações europeias saudaram o pleito como uma confirmação para mudanças políticas.

 

Impacto negativo para Merz e governo federal

 

O desempenho da AfD representa um revés expressivo para Friedrich Merz, cujo índice de aprovação pessoal despencou para níveis historicamente baixos, à medida que os eleitores rejeitam suas propostas de reformas econômicas e seu estilo de comunicação, frequentemente marcado por gafes.

 

Uma pesquisa realizada pela emissora ARD revelou que 87% dos eleitores do estado manifestaram insatisfação com o governo federal. Siegmund comentou que Merz é, na prática, o melhor adversário da AfD, dada sua impopularidade na região.

 

"Este resultado eleitoral é, antes de tudo, um voto de desconfiança no governo federal", declarou Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, à agência Reuters.

 

Merz assegurou que planeja revitalizar a maior economia europeia através de reformas favoráveis ao setor empresarial, acompanhadas por aumento dos gastos públicos, mas alertou que a vitória do AfD na Saxônia-Anhalt poderia prejudicar o estado e desencorajar investimentos estrangeiros.

 

Os principais partidos alemães mantêm uma posição de rejeição à colaboração com a AfD, tida como um grupo de extrema direita pelo serviço de inteligência interno da Alemanha.

 

Um caso à parte é o pequeno partido Aliança de Sahra Wagenknecht (BSW), que estava próximo de superar o limite eleitoral para entrar no Parlamento estadual. O BSW sugeriu que a Saxônia-Anhalt fosse governada por um primeiro-ministro apartidário, com maiorias variáveis, inclusive contando com votos da AfD.

 

Entretanto, Siegmund rejeitou a proposta do BSW, qualificando-a como uma "confusão" e descartou quaisquer acordos que impedissem a AfD de implementar sua agenda de mudança. "Se chegarmos a um impasse, simplesmente haverá novas eleições", acrescentou.

 

Os conservadores de Merz indicaram que pretendem iniciar negociações com outros partidos, ainda que isso possa exigir a união de forças políticas com agendas bastante distintas. Na vizinha Turíngia, no leste alemão, os conservadores já governam em minoria com a tolerância passiva do Partido de Esquerda.

 

A Saxônia-Anhalt, antiga região da Alemanha Oriental sob regime comunista, é um dos menores estados do país, com população pouco superior a 2 milhões de habitantes. O resultado da eleição destaca o crescimento acelerado da AfD desde sua fundação, em 2013.

 

Atualmente, a AfD ocupa a liderança em intenções de voto no cenário nacional, com 28%, superando confortavelmente os conservadores, que registram 20%, segundo pesquisa recente do instituto INSA.

 

Posicionamento rígido sobre migração e políticas culturais

 

Embora partidos de extrema direita tenham avançado em outras partes da Europa, o passado nazista da Alemanha tem contribuído para que as legendas tradicionais evitem qualquer cooperação com a AfD.

 

Alegando que as acusações de extremismo são alarmistas e insultam seus eleitores, a AfD rejeita tal classificação.

 

Durante a campanha, o partido explorou o crescente desencanto com as forças políticas tradicionais, apresentando-as como desgastadas e desconectadas da realidade, e ofereceu uma agenda baseada em políticas rígidas, uma visão nostálgica de retorno a ruas mais limpas e seguras, além de promover o orgulho pela identidade alemã.

 

Antony Lee, participante da festa eleitoral da AfD, comentou: "É evidente a necessidade de mudanças na Alemanha e na Europa Ocidental. Acredito que daqui sai um sinal inicial, gostem ou não". Ele se apresentou como pai e empresário preocupado com a atual situação do país.

 

Entre as propostas do AfD, incluem-se a orientação das escolas e instituições culturais para valores considerados mais tradicionais, restrições à imigração, e a reformulação da radiodifusão pública. O partido defende que crianças refugiadas sejam ensinadas em classes separadas.

 

O AfD também solicitou que as bandeiras arco-íris sejam proibidas nas escolas e que a bandeira nacional alemã seja hasteada diariamente, com o hino nacional sendo cantado por alunos e funcionários durante celebrações escolares. Outras propostas abrangem a criação de patrulhas cidadãs, ampliação do ensino da língua russa nas escolas e suspensão da construção de novos parques eólicos.

 

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