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Especialistas pedem prevenção contra eventos extremos

Peritos apontam que país gasta excessivamente com reconstrução e reforçam urgência de mapeamento e infraestrutura verde.

13/10/2026 às 14:59
Por: Redação

Superar o hábito de reagir apenas após os danos e focar na preparação antecipada. Esta constitui a principal indicação de peritos em preservação ambiental e resiliência climática frente à elevação das ameaças ligadas a fenômenos severos em território nacional.

 

A trajetória para tal objetivo abrange cartografar zonas de vulnerabilidade, equipar redes essenciais de atendimento, expandir mecanismos de aviso prévio e integrar elementos naturais no desenho das cidades, minimizando assim os reflexos de temporais, estiagens severas e episódios de calor extremo.

 

Tal advertência ganha evidência neste 13 de outubro, data que marca o Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, estabelecido pela Organização das Nações Unidas com o propósito de incentivar estratégias preventivas e diminuir perdas financeiras, ecológicas e sociais decorrentes de tais ocorrências.

 

“Isso mostra que ainda tratamos como surpresa riscos que já são conhecidos e recorrentes”


 

A declaração parte de Rafael Loyola, membro titular da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e principal dirigente da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

 

“Precisamos abandonar a cultura da tragédia e adotar uma cultura de prevenção. Hoje, o Brasil gasta mais de três vezes com resposta e reconstrução do que com prevenção de desastres, nos níveis federal, estadual e municipal"


 

Na avaliação de Loyola, a transição demanda vigilância contínua sobre locais suscetíveis, aportes financeiros em escoamento de águas e estabilização de encostas, expansão de áreas verdes urbanas, restauração de ecossistemas nativos e aperfeiçoamento das redes de alerta direcionadas à população.

 

Mostra-se igualmente imperativo adequar unidades de saúde, instituições de ensino, malhas viárias e sistemas de fornecimento hídrico e elétrico para que mantenham suas operações mesmo sob circunstâncias severas.

 

Estratégias de Resiliência

 

O preparo frente a catástrofes meteorológicas precisa levar em conta as particularidades e os pontos fracos de cada localidade. As previsões estipuladas para o segundo bloco de meses de 2026, sob forte influência do fenômeno El Niño, acentuam essa urgência.

 

Conforme aponta André Ferretti, supervisor sênior de Economia da Biodiversidade vinculado à Fundação Grupo Boticário e membro da RECN, a adaptação frente às alterações do clima fundamenta-se em medidas articuladas por múltiplos setores.

 

“Ao contrário da mitigação, que tem foco na redução das emissões de gases de efeito estufa e pode ser feita em qualquer lugar do mundo, com efeitos positivos para todos, a adaptação exige ação local. É preciso olhar para cada território, mapeando riscos e vulnerabilidades.”


 

O técnico pontua que os planos de ação requerem integração entre pastas de proteção ambiental, saúde pública, ensino, produção agropecuária e engenharia estrutural, contando com o engajamento coordenado entre união, estados, municípios, mercados produtivos e a sociedade civil.

 

Entre os instrumentos tecnológicos postos à disposição encontra-se o portal Natureza ON, construído conjuntamente pela Fundação Grupo Boticário e pela organização MapBiomas, operando com infraestrutura do Google Cloud.

 

O mecanismo digital possibilita verificar probabilidades de enchentes, escorregamentos de terra e parâmetros de segurança de água potável em diversas porções do país, além de sugerir Soluções Baseadas na Natureza capazes de fortificar a resistência das comunidades.

 

Ambiente Natural como Base Estrutural

 

A eliminação de coberturas vegetais, a pavimentação excessiva do solo e a ocupação indevida de margens de rios e fontes hídricas intensificaram a fragilidade dos centros urbanos diante de intempéries, conforme aponta Juliana Baladelli Ribeiro, líder de projetos na Fundação Grupo Boticário e perita em Soluções Baseadas na Natureza.

 

A revitalização de espaços verdes, a conservação de mananciais hídricos, a instituição de novas áreas de parque e o alargamento de superfícies permeáveis detêm a capacidade de abrandar perigos ligados ao volume excessivo de precipitações e às temperaturas elevadas.

 

Tais medidas ambientais auxiliam no controle de processos erosivos, na consolidação de declives geográficos e na regulação dos índices de umidade, temperatura e oferta de água.

 

“São formas muito eficientes de lidar com os riscos associados ao excesso de água e às altas temperaturas, ao mesmo tempo em que geram benefícios para a qualidade de vida da população”


 

A pesquisadora enfatiza que os aportes de recursos em projetos urbanísticos precisam computar ameaças climáticas desde a fase inicial de concepção.

 

“Sem considerar os riscos e os impactos das mudanças do clima no planejamento dessas obras, parte desse investimento pode, em vez de preparar as cidades, contribuir para ampliar sua vulnerabilidade a eventos extremos e aprofundar a injustiça climática”


 

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